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Posted by : MR



Estava eu na minha busca incessante para encontrar algo que escrever no interessantíssimo blog em que escrevo (que só por acaso é este) quando saí de casa aborrecido.

 - Será que vou encontrar qualquer coisa sobre a qual escrever hoje? - Perguntei para mim mesmo antes de responder - Suponho que não. Bem, não é como se alguém lesse mesmo os posts que eu escrevo por isso não se perde muito.

Assim que terminei esta frase fui interrompido por PVD que passava por ali na sua busca incessante pelo Espirito Santo (tinha-o colocado numa caixa na noite anterior mas Space Aye como o bom ateu que é decidiu solta-lo para que PVD deixasse de acreditar nele).

 - MR, meu filho, poderias ajudar-me a encontrar o Espirito Santo? Eu tinha-o guardado numa caixa ontem, mas hoje quando lá fui para consumir um bocado da presença d'Ele, eu reparei que já não lá estava. - PVD disse-me. Eu não conseguia parar de olhar para ele incrédulo com o que acabara de ouvir.

 - Esse "Espirito Santo", é um eufemismo qualquer para a tal droga que você nos deu da outra vez? - perguntei com algum receio (ver http://osgargulas.blogspot.pt/2013/05/os-gargulas-e-o-messias.html).

 - Não, não. O Espirito Santo de que te falo é mesmo aquele que enquanto José não estava a ver engravidou Maria... - PVD respondeu, adicionando pouco depois - Sem que sexo estivesse envolvido obviamente.

 - Meu caro, acho que já falamos deste assunto. É muito difícil que alguém, num século em que não existia fertilização in vitro, nascesse sem que algo o provocasse. - Eu disse a PVD que receoso olha de imediato para os céus. Só há uma (ou duas, não sei bem) figura (s) que o PVD teme, visto que o PVD é o PVD, e essa figura é Jesus Cristo (Ou Jesus Cristo e Deus, como disse eu não sei bem). De imediato lembrei-me deste facto e olhei para os Céus e disse:

 - Será que?

 - Meu filho, porque tu disseste algo tão ateu, Cristo irou-se e vai agora descer para discutir contigo. - PVD respondeu temeroso do que estava para vir.

 - Ateu? Se por ateu quer dizer lógico, sim eu disse algo muito ateu. - Respondi prontamente.

 - O que se passa aqui? - Jesus perguntou ao descer dos Céus. - Estou a ver que tu ainda não acreditas que a minha mãe é virgem.

 - Claro que não. - Respondi algo aborrecido. Não conseguia acreditar que estava a discutir algo tão obvio de novo. Porquê que me tinha que acontecer a mim?

 - E porque não? - Jesus perguntou.

 - Porque não faz sentido nenhum. - Insisti.

 - De facto não faz. Mas eu sou o Messias. Não tem que fazer sentido para ser verdade. - Jesus respondeu com autoridade.

 - Parece-me que já ouvi esta balela em algum lado. - Respondi pensando nos dias em que era ingénuo que chegue para acreditar nessa mesma balela que agora rejeitava.

 - O quê que tudo disseste? - Jesus respondeu irado antes de se acalmar - Sinceramente, Deus me livre. Tu nunca aprendes.

Nos Céus, uma voz surge muito mais irada do que alguma Jesus poderia alguma ficar que diz:

 - Filho! Eu avisei-te!

 - Perdoa-me Pai! Foi por causa daquele herege. - disse apontando para mim enquanto eu olhava estupefacto para os Céus. Devo dizer que estou desapontado. Para alguém que se predispôs a morrer pelos meus pecados, ele não se fez rogado na altura de desviar a culpa. Suponho que ele esteja á espera que eu faça o mesmo pelos dele.

 - Sendo esse o caso, eu vou deixar passar. - Deus respondeu.

 - Porquê, Pai? - Jesus perguntou.

 - Porque ele escreve n'Os Gárgulas, o melhor blog que já li, como tal não lhe devo fazer mal. - Deus respondeu.

PVD, vendo que o próprio Senhor tinha descido dos Céus, decidiu tomar a iniciativa de lhe falar. Suponho que tenha sentido que falar com o Senhor sem ter que se drogar ou ajoelhar também era uma boa forma de iniciar uma conversação com o Senhor. O Senhor, na sua bondade, aceitou. Suponho que estivesse bem disposto, visto que normalmente tais informalidades como falar-lhe sem estar drogado ou ajoelhado, ou falar-lhe não acreditando nele, normalmente têm como resultado a ignorância do Senhor para com aqueles que lhe falam mesmo que precisem desesperadamente da sua omnipotente ajuda. O que se pode dizer? Manias...

 - Senhor, temos um problema... - PVD começou por dizer ao Senhor esquecendo da omnisciência do mesmo. Se há alguém a quem não devíamos de ter que dizer que há um problema é ao tipo que tem a mania que sabe tudo, porque neste caso ele sabe mesmo, ou assim eu pensava até que o Senhor respondeu perguntando:

 - O que se passa desta vez? Queres tentar converter o Space Aye mais uma vez? Esquece meu filho, o Space Aye nunca se irá converter. Eu já tentei mostrar-me a ele das mais variadas formas e ele continua a não acreditar em mim. No outro dia até joguei xadrez com ele e tudo. Foi uma excelente partida, mas quando lhe disse que eu era o Senhor ele começou a rir e saiu. Eu até substitui a excelente carreira que ele estava a fazer no Mafia Wars por um vídeo em que eu lhe explicava os segredos do Universo. Excusado será dizer que não funcionou. Nem o meu filho, que morreu pelos pecados daquele herege, o conseguiu convencer do contrário, como tal suponho que nada conseguirá. - O Senhor respondeu desiludido consigo mesmo.

 - Como assim "os segredos do Universo"? - PVD perguntou com ciúmes.

- Exatamente isso. Os segredos do Universo. - O Senhor respondeu de forma clara e inequívoca.

- Incluindo como fazer o Cheesecake divino? - PVD perguntou quase em lagrimas.

- Incluindo isso. - O Senhor respondeu.

- Como pode? O Senhor prometeu-me que me iria revelar esse segredo a mim a mais ninguém. - PVD disse num estado de choque.

- Recompõem-te, PVD, tu continuas o meu elegido. Tudo o que fiz foi para que o Space Aye acreditasse em mim. Como vês não foi o suficiente. Mais a mais, eu sou o Senhor. Não que te deva satisfações mas eu não tenho que cumprir as minhas promessas. Afinal eu sou Deus, o teu Senhor. Como tu és o PVD, eu peço-te desculpa porque de facto mereces que tenha pelo menos essa consideração por ti. Afinal tu és o PVD. Mas se fosses qualquer outro certamente não o faria. - O Senhor respondeu com arrogância.

- Sinceramente... - Eu respondi esperando que o PVD se irasse pelo menos contra a arrogância que o Senhor demonstrava. Sinceramente, eu é que devia estar drogado por esperar tal coisa visto que ao invés testemunhei uma resposta completamente diferente.

- Sim, Pai Nosso que habitas nos Céus. Faça-se a tua vontade, tanto aqui como nos Céus, amém. - PVD respondeu.

- Era isso que você lhe queria perguntar, PVD? - Eu perguntei ao PVD.

- Ainda bem que me lembras meu filho. - Ele respondeu-me antes de se virar para o Senhor - Senhor, o Espirito Santo que deixaste ao meu cuidado desapareceu.

- Como? - O Senhor perguntou estupefacto - Como é que isso foi acontecer?

- Não sei, Senhor. De inicio pensei que este Mórmon que aqui vês - disse apontando para mim - o tivesse roubado, visto que os Mórmons dizem ter o dom do Espirito Santo e afirmam poder senti-lo com uma frequência proporcional á sua fidelidade ao livro herege que leem e ás partes da Bíblia que julgam compatíveis com a sua crença igualmente herege.

- Meu caro, primeiro que mais eu sou ex-Mórmon, como tal não tenho interesse nenhum nesse pseudo-artefacto que é o Espirito Santo. Segundo, mesmo que tivesse não o roubaria. Isso vai contra o meu código de conduta moral. Eu sigo o imperativo de Kant: "Age apenas segundo uma máxima que possas ao mesmo tempo querer que se torne lei universal". - Eu respondi algo ofendido com a sugestão de que eu roubaria alguma coisa. É que nem sequer se tratava de uma Coca-Cola!

- De facto. Eu esqueci-me desse detalhe. De facto continuas um herege, mas pelo menos já não és Mórmon. - PVD respondeu.

- E então? O que farás sobre isto, PVD? - O Senhor perguntou algo chateado.

- Eu irei recuperar-lo. Garanto-lhe. - PVD respondeu.

- Ainda bem. Como tal, dar-te-ei um incentivo. - O Senhor disse virando-se para PVD - Tu procurarás o Espirito Santo dia e noite e se o encontrares tudo estará bem, mas se não o encontrares...

- Se não o encontrar... - PVD repetiu algo temeroso.

- Tirar-te-ei todos os teus poderes e lançar-te-ei a eterna condenação. - O Senhor concluiu.

- Senhor, porquê? - PVD perguntou.

- Porque me apeteceu. Assim é mais divertido, não achas? - O Senhor respondeu com uma expressão que indicava que se sentia divertido. Suponho que o Senhor também necessite de entretenimento de vez em quando. Visto que hoje em dia já não pode inundar a Terra sempre que lhe apetece.

E assim do nada, antes que eu lhe pudesse perguntar sobre a inconsistência entre a omnisciência d'Ele e a sua falta de conhecimento do que se passava com o Espirito Santo, o Senhor decidiu deixar-nos para a nossa busca ao Espirito Santo. Suponho que até o Senhor ache um bocado demais saber o que o AR faz na casa de banho. Sinceramente, eu bem o entendo. Eu nem sequer quero pensar nisso. Como tal, avancemos. Assim do nada eu, o PVD e Jesus Cristo estávamos em busca de recuperar o Espirito Santo, eu mais por arraste do que por outra coisa, afinal se assim não fosse como poderia eu narrar este post? Eu que pretendia passar o resto do dia a ler o grande Christopher Hitchens acabo por me ver envolvido numa busca completamente oposta ao meu intento inicial. Enfim, a vida tem destas coisas. Se calhar o Senhor achou por bem evitar que eu re-lesse "deus não é Grande: Como a religião envenena tudo" roubando o Espirito Santo e obrigando-me a mim, ao PVD e ao seu filho que é ao mesmo tempo ele mesmo a procurar por ele.

Decidimos, portanto, descer pela Avenida dos Aliados. Procuramos por ele dentro do edifício da Camara, mas sem sorte. Lá encontramos um homem que chorando murmurava:

- Como pude eu não ganhar? Eu, o mais portuense de todos os ex-presidentes da Câmara de Gaia.

Assim que ouvi o que ele dizia tornou-se obvio que se tratava de Luiz Felipe Menezes. De imediato pensei em perguntar-lhe porquê que a água em Gaia era tão cara, mas de imediato lembrei-me que tal não sortiria efeito prático algum e só serviria para me distrair do meu propósito. "Será que isto era uma armadilha do Senhor?", pensei eu,"Ou será de Satanás?". "Não importa", pensei eu, "Vamos mais é encontrar o Espirito Santo que eu estou a ficar com fome e o Benfica joga hoje". E assim deixei Luiz Felipe Menezes a chorar na sua gravata laranja num canto abandonado da Camara do Porto. Antes de sair questionei-me se Rui Moreira sabia que Luiz Felipe Menezes lá estava. Decidi que isso não importava muito e concentrei-me de novo na busca pelo Espirito Santo.

Nós procuramos durante o dia todo sem quaisquer resultados até que encontramos o Space Aye no Dolce Vita. Logo que ele nos viu perguntou-nos o que fazíamos lá, ao que respondi:

- Procuramos o Espirito Santo.

- Tu também, MR? Não me digas que o PVD te converteu para o conto de fadas dele. - Ele disse-me claramente divertido.

- Claro que não. - Eu respondi contendo-me.

- Olha quem é ele. Então "messias" como vais? - Space Aye perguntou a Jesus.

- Estava melhor antes de te ver, herege. - Jesus respondeu.

- Sinceramente. Não sabes que tratar as pessoas assim é de mau tom. Que raio de "messias" és tu? A tratar as pessoas dessa forma. - Space Aye zombou.

- Existem pessoas a quem não vale a pena tratar bem.- Jesus respondeu chateado.

- O que aconteceu a dar a face? Esqueceste a tua própria doutrina? Que chocante. - Space Aye disse num tom claramente sarcástico.

- De qualquer das formas, não nos incomodes. Estamos á procura do Espirito Santo. - Jesus respondeu.

- Sim, sim. E eu sou Zeus. - Space Aye afirmou numa tentativa de provocar Jesus.

De facto Jesus ficou algo irado depois daquela tirada do Space Aye, mas logo se acalmou e de novo se concentrou em procurar o Espirito Santo.

- Ok, sendo assim eu vou convosco. Eu ia ver o Jogos da Fomeca 2, mas suponho que possa deixar isso para outra altura. - Space Aye anunciou algo entusiasmado. Eu fiquei surpreendido pois o Space Aye não costuma abdicar de ver os seus filmes preferidos até á exaustão tão facilmente. Comecei a suspeitar algo, como isto é um post Gargulinio e um build-up demasiado elaborado seria um desperdício de tempo perguntei-lhe logo:

- Space Aye, você tem algo a ver com isto, não tem?

- Sim. Fui eu que soltei a coisa. - Ele respondeu sem preocupação alguma.

- Eu devia ter adivinhado. - PVD suspirou.

- Então tu não sabias? Deus não to disse? - Space Aye perguntou surpreendido.

- Não, não me disse. Ele nem sequer sabia o que tinha acontecido. - PVD respondeu.

- Então? Ele não era suposto de saber tudo? Rica omnisciência. - Space Aye disse surpreendido.

- De facto, mas prontos, acontece. Ele é o Senhor, como tal pode tudo, inclusive falhar. - PVD afirmou sem pensar muito.

- Mas se ele pode falhar, isso não significaria que ele não é omnipotente? - Eu perguntei.

- Mas se ele não falhar, como é que ele pode tudo? Falhar tem que ser uma das opções. - PVD afirmou tentando assim acabar a discussão.

Eu passei meia-hora a pensar no paradoxo que tínhamos criado. Decidi depois que não importava muito visto que a omnipotência de uma forma ou de outra é impossível. Com este pensamento em mente avancei com PVD, Jesus e Space Aye para o Estádio do Dragão onde encontramos JF.

- JF? O que fazes aqui? - Perguntei eu.

- Ah, estava á procura de uma moeda de dois euros. - JF respondeu.

- Ah, estou a ver. - Respondi sem mais dizer.

Nisto apareceu um exercito de gatos pretos.

- Porquê que eles tinham que aparecer agora? - JF perguntou.

- Tu conheces estes gatos pretos? - Eu perguntei enquanto os gatos pretos nos cercavam.

- Eu devo-lhes um euro e noventa e nove cêntimos. - JF prontamente respondeu.

Os gatos atacam seguidos de garrafões e outras coisas que normalmente não teriam vida. Isto até que PVD decide intervir depois de terminar a partida de xadrez contra Jesus. Obviamente Jesus perdeu. PVD logo afastou os gatos pretos e os restantes agressores que fugiram rolando dali para fora.

Nisto olhamos para dentro do estádio e dentro vimos o Espirito Santo em pessoa. Na verdade devo admitir que fiquei algo desiludido. Eu esperava algo melhor. O Espirito Santo parecia-se mais com um guna (vulgo Super Dragão) do que com uma entidade divina.

- Que desilusão. - Acabei por dizer.

- O quê que te aconteceu? - PVD perguntou-lhe surpreendido.

- O quê que tu queres, caralho? Queres discutir é, é? Queres pancada é, é? - O guna, perdão, o Espirito Santo perguntou.

- Space Aye o quê que tu lhe fizeste? - PVD perguntou ao Space Aye que prontamente responde:

- Eu raptei-o enquanto ele dormia e deixei-o á beira do Estádio do Dragão. Nunca pensei que o resultado fosse tão divertido. - Space Aye disse enquanto se ria.

- Mas tu 'tás te a rir-te do quê, pá? Foda-se, um gajo já não pode apoiar o FêCêPê em paz. Que merda de país. - O guna, perdão, o Espirito Santo disse num tom ameaçador.

- E perigoso também. - Adicionei ao comentário do Space Aye.

- Ouve, Espirito Santo, o Pai quer que nós regressemos. Já passa da hora do jantar. Vamos lá, ok? - Jesus diz-lhe.

- Podes ir á frente se quiseres, eu não vou a lado nenhum. Vemo-nos depois. - Disse o Espirito Santo antes de começar a correr.

Ainda pensamos em correr, mas como se tratava de uma entidade divina concluímos que não valia a pena. Nem Jesus parecia confiante de o conseguir apanhar.

- Epá, eu vou mais é para casa que eu já não bebo uma cola á quase duas horas. - Eu disse cheio de sede.

- Agora não é altura de pensar em beber Coca-Cola. Se eu não recuperar o Espirito Santo, estou tramado. - PVD disse pensando na ameaça que o Senhor lhe fizera. E boas razões tinha ele, afinal o Senhor tem um histórico de fazer coisas bem piores por muito menos.

- Mas o quê que vamos fazer? Nós nem sequer sabemos onde é que ele foi. - JF perguntou a PVD.

- Suponho que tenhamos que o procurar. Não nos resta mais nada. - Comecei por dizer até que me lembrei que me apetecia beber Coca-Cola - Mas espera aí para quê que estou aqui? Eu nem sequer acredito em nada disto.

- Ok, se me ajudares eu pago-te uma cola. Que tal? - PVD perguntou pouco convencido de que eu aceitaria.

- Ok, parece-me bem. - Respondi surpreendendo PVD.

Após esta perca de tempo (não me ocorre melhor descrição) nós apanhamos o metro saindo na estação da Trindade e descemos para a Avenida dos Aliados onde encontramos o Espirito Santo a fazer um grafiti na Camara. "Espirito Santo rocks! Fuck the Police!", podia-se ler na parede. Dava para ver que ainda era um novato pois ninguém gasta tinta a escrever algo tão cliché quanto aquilo.

- Olha, lá está ele. - Eu disse apontando para o Espirito Santo.

- Vamos apanha-lo. - PVD respondeu antes de carregar sobre o Espirito Santo que se desviou e começou a correr. JF começou a correr atrás dele mas o Espirito Santo conhecendo a fraqueza de JF atirou uma moeda de dois euros ao lado oposto daquele para o qual ele seguiu. JF, sem nunca ter tido grandes chances de resistir, fez exatamente o que o Espirito Santo esperava dele. Space Aye ficou parado a ver tudo isto. Presumo que estivesse entretido afinal tinha sido ele que tinha começado tudo isto. Jesus, vendo isto, decidiu correr atrás do Espirito Santo como se a sua vida disso dependesse.

Após isto perdemos noção de onde estava Jesus.

- Boa, agora também não sabemos onde o Jesus foi parar. - PVD exclamou num tom consternado.

- Rico messias! Nem sequer apanhar um guna consegue. - Space Aye disse zombando com Jesus.

- Aquilo não é um guna qualquer; é o Espirito Santo! - PVD replicou.

- Ah, quero ir para casa. - Eu exclamei olhando para o grafiti que o Espirito Santo deixara nas paredes da Camara.

- Suponho que já não tenha que te pagar uma cola. - PVD respondeu.

Ao ouvir aquelas palavras, decidi que iriamos apanhar o Espirito Santo. Compenetrado neste objetivo comecei a pensar em formas de o conseguir fazer. Depois lembrei-me de algo que tinha lido no Livro de Mórmon e exclamei:

- Eureka! - algo irónico tendo em conta a fonte da ideia - Já sei como poderemos apanhar o Espirito Santo.

- Como, meu filho? Eu estou a ficar cansado de correr de um lado para o outro e já está na hora de eu voltar para a minha paróquia para ver se descanso para a missa de amanhã. - PVD perguntou.

- Mas nós vamos precisamente para a sua paróquia. - Eu anunciei.

- Como assim? - JF perguntou.

- Sim, por acaso até estou curioso, se bem que não tenha interesse nenhum nisto. - Space Aye disse.

- Eu explico quando lá chegarmos. - Eu respondi.

Uma vez lá, eu comecei a explicar o meu plano:

- O Espirito Santo por esta altura deve estar a beber até cair para o lado. Antes que ele entre em coma alcoólico temos que o invocar.

- Invocar o Espirito Santo? - JF perguntou.

- Sim. Se fizermos alguma coisa de teor religioso, o Espirito Santo terá que vir ao nosso encontro. De outra forma não nos conseguirá convencer de que nós não estamos a fazer figuras tristes e dessa forma não estará a fazer o seu trabalho. - Eu expliquei.

- Mas o que te convence que ele virá? - PVD perguntou-me cheio de curiosidade.

- É fácil. Lembra-se de que o Jesus estava com medo de ser crucificado de novo. De quem é que Jesus tem medo? Do Senhor. Logo, com o Espirito Santo deve ser a mesma coisa. Como tal, se nós sairmos desta missa que você nos vai dar agora convencidos de que tudo o que nos disse é balela, o Senhor ficará seguramente chateado com o Espirito Santo. E mesmo nesta fase rebelde, tenho a certeza que o Espirito Santo não quererá ser de novo transformado numa pomba. - Eu expliquei.

- Não tenho a certeza de que isto irá funcionar, mas não posso dizer que tenha uma ideia melhor. Ok, meu filho, vamos avançar com o teu plano. - PVD respondeu.

- Serei eu o único a pensar que isto é um absurdo? - Space Aye perguntou. Prontamente respondi-lhe, dizendo:

- Não, mas por uma coca-cola faço tudo. - Disse antes de repensar - Afinal, não. Quase tudo. Beber Pepsi é algo que está sempre fora de questão.

- Incluindo vender a alma ao Diabo? - JF perguntou.

- Não vejo porque não. Estou neste momento a tentar recuperar um pseudo-artefacto pertencente a uma besta quadrada cujos atos de maldade ultrapassam em larga medida qualquer ato de maldade perpetuado por um ser humano. Pelo que não vejo porque não.

- Faz sentido. - Space Aye assentiu.

Nisto apareceu o Diabo que tendo ouvido as minhas palavras vinha, junto com a chave da fábrica da Coca-Cola em Sevilha, preparado para selar um contrato em que invariavelmente eu lhe teria que entregar a minha alma.

- E agora o nonsense aumentou. - Space Aye disse conformado com o disparate que o rodeava.

- Boas, eu sou Satanás e tenho uma oferta para lhe fazer. - Disse com uma voz profunda.

- Uma oferta? O que me quer ofertar? - Perguntei curioso.

- A chave para a fábrica da Coca-Cola em Sevilha. - Respondeu confiante.

- A sério? - Perguntei maravilhado com a perspetiva de passar o resto dos meus dias a beber Coca-Cola extraída diretamente da fonte. Já estudava na mente planos para fazer uma pipeline diretamente de Sevilha para a minha casa.

- Sim, para isso basta que dês a tua alma. - Respondeu.

- Ó PVD, ele faz ofertas mais interessantes que o seu patrão. - Disse ao PVD espantado com a magnificência da oferta que me tinha sido feita. Eu nunca pensara que a minha alma valesse tanto. Sempre pensei que se calhar daria para um cascol do Benfica, mas para a fabrica da Coca-Cola em Sevilha? Estava, naquele momento, eufórico com a perspetiva. Nisto lembrei-me de que seria melhor verificar as letras pequenas do contrato pelo que arranquei o contrato da mão de Satanás, peguei na minha lupa que uso para ler a documentação relativa ao fisco, e comecei a ler. Nisto li que a minha tortura seria algo absolutamente horrível. "O quê?", perguntarão por certo. Ser esfolado vivo todos os dias? Ser mergulhado em lava de hora a hora? Não! O meu destino, ao aceitar tal contrato, seria mil vezes pior. No contrato dizia que eu seria condenado a beber Pepsi para toda a eternidade.

- Meu caro, recuso o seu contrato. - Disse a Satanás antes que PVD o afastasse com a magnificência dos seus poderes. Ele era o PVD, portanto era melhor que Satanás tomasse cuidado. Tão subitamente como tinham aparecido, Satanás e o seu contrato desapareceram e rapidamente retomamos o nosso plano para recuperar o Espirito Santo. Nisto PVD começou a dar a sua missa, cujo tema, de tão interessante que era, não me lembro. A meio da missa começamos a sentir uma presença. Sem mais tardar PVD chamou o Senhor para que recolhesse o Espirito Santo. E assim foi, amém. Ao recolher o Espirito Santo, o Senhor dirigindo-se ao PVD disse:

- Eu sabia que não me falharias. Como recompensa, ainda que não te tenha prometido nada, deixo contigo a receita para o Cheesecake divino. Este é o mais importante de todos os segredos que te posso deixar. De facto, criei o Universo e crucifiquei-me a mim mesmo para este dia. Cuida bem deste segredo que contigo deixo.

- Irei cuidar, Senhor. - PVD respondeu emocionado.

- Ah, falando em crucificar-me a mim mesmo. Sabem onde está o meu filho? - O Senhor perguntou-nos.

- Não, não sabemos. Pensávamos que tivesse ido para casa. - Respondi eu.

- Não, não veio. Eu só espero que ele não esteja a fazer aparições ou a transformar-se em hóstias de novo. O meu filho consegue ser tão narcisista. - O Senhor desabafou.

- Tal pai, tal filho. - Space Aye respondeu.

- Bem, se tivermos em conta que são a mesma entidade, sendo entidades diferentes, essa frase nunca fez tanto sentido antes. - Disse, algo divertido agora que tinha assegurado a minha Coca-Cola grátis.

- Muito engraçado, MR. - O Senhor respondeu sarcasticamente antes de prosseguir - Por favor encontrem o meu filho. PVD, bem sei que já fez aquilo que lhe pedi, mas gostaria que me ajudasse mais uma vez.

- Sim, claro, meu Senhor. - PVD respondeu e assim que o fez, o Senhor desapareceu.

- Epá, tens a certeza que não estamos alucinados com a tua droga? - Space Aye perguntou a PVD.

- Cala-te, herege! - PVD respondeu.

Terminada este discussão, nós começamos a procurar Jesus por todo o lado. Viramos a cidade toda do avesso até que o encontramos conversando com Pedro Passos Coelho.

- De facto, eu estou muito satisfeito com o trabalho que estou a fazer. Veja lá que ontem a troika até um biscoito me deu. - Passos Coelho disse satisfeito com ele mesmo.

- O teu patrão trata-te melhor que o meu, e somos a mesma pessoa, que seria de mim se não fossemos. - Jesus respondeu antes de beber mais um gole da Super Bock que tinha no copo.

- De facto é verdade. - Pedro Passos Coelho respondeu satisfeito da vida.

- Mas deixa que te diga que essa troika de que falas não tem muita ambição. - Jesus disse-lhe em jeito de provocação.

- Como assim? - Passos Coelho respondeu um pouco chateado.

- Não lhes fazia mal ter um workshop com o meu Pai. Ele sim, sabe como infligir dor e desespero. - Jesus explica.

- De facto o seu Pai tem uma grande reputação entre nós que estamos neste meio. E que faria eu para que a minha parca popularidade não caísse? - Passos Coelho questionou.

- Ah, não te preocupes. O meu Pai fez coisas bem piores do que esse teu governo, e é adorado um pouco por todo mundo e visto como um Deus de amor. É tudo uma questão de marketing. Eu depois dou-te o contacto do nosso agente de marketing, se quiseres. - Jesus disse.

- Sendo assim, fico-lhe grato. Terei agora que me ausentar. Se me permite, até uma outra vez. - Passos Coelho disse antes de sair.

Assim que Passos Coelho saiu, nós aproximamos-mos de Jesus que vendo-nos perguntou:

- Então já encontraram a coisa?

- Já. Já está com o seu Pai. - Respondi eu observando o estado de embriaguez de Jesus.

- Jesus, o seu Pai quer que você regresse. Afinal já passa em muito da sua hora de deitar. - PVD disse a Jesus.

- Tem que ser? - Jesus perguntou.

- Tem que ser. - PVD respondeu assertivamente.

- Não me apetece. - Jesus exclamou.

- Se não o fizer, ele vai crucifica-lo de novo. - Eu disse-lhe.

- Ok, suponho. - Jesus disse deixando-nos para partir para o além de onde tinha vindo.

No dia seguinte contei tudo a AR cujo paradeiro na altura dos eventos me era convenientemente desconhecido. Incrédulo com aquilo que lhe tinha contado ele virou-se e disse-me:

- Sim, sim, queres mesmo que acredite nisso?

- Ah, esquece. - Disse, desistindo do tópico. Afinal tais eventos são de facto demasiado estranhos para que neles se acredite. Tanto é que mesmo depois de presenciar tudo isto, quer eu quer o Space Aye continuamos ateus. O que se pode dizer? Manias...

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